A SpaceX está pronta para realizar um lançamento histórico: levar quatro astronautas à órbita polar como parte da missão Fram2, marcando a primeira vez que uma missão tripulada sobrevoará as regiões polares da Terra.
A tripulação internacional é composta por quatro astronautas com vasta experiência e diferentes nacionalidades. O comandante da missão é Chun Wang, de Malta; a comandante da nave é Jannicke Mikkelsen, da Noruega; a piloto é Rabea Rogge, da Alemanha; e o responsável médico da missão é Eric Philips, da Austrália. Juntos, eles embarcarão na cápsula Dragon com destino a uma das órbitas mais estratégicas e exigentes para missões espaciais.
O que é uma órbita polar?
Diferente das órbitas equatoriais comuns, em que os satélites circulam ao redor da linha do equador, a órbita polar faz com que a nave passe sobre os polos Norte e Sul. Isso significa que o satélite — ou a nave, no caso da missão Fram2 — percorre a Terra no sentido norte-sul, permitindo uma cobertura global à medida que o planeta gira sob sua trajetória.
Essa configuração é especialmente útil para observações contínuas da superfície terrestre. Por isso, órbitas polares são amplamente utilizadas em monitoramento climático, sensoriamento remoto, mapeamento e até operações de inteligência.
Por que escolher a órbita polar?
A principal vantagem da órbita polar é sua capacidade de cobrir toda a superfície terrestre com o passar do tempo. Satélites nessas órbitas operam geralmente a altitudes entre 200 e 1.000 km, o que possibilita imagens em alta resolução e observações detalhadas em escala global.
Satélites como o Landsat e o GOES da NOAA utilizam esse tipo de trajetória para realizar até 20 voltas completas ao redor da Terra por dia, movendo-se a velocidades próximas de 7,5 km por segundo. Essa dinâmica oferece dados valiosos para o estudo das mudanças climáticas e para o planejamento de respostas a desastres naturais.
No entanto, lançar uma missão para essa órbita requer mais combustível. Isso acontece porque os foguetes não conseguem aproveitar o impulso adicional gerado pela rotação da Terra — um recurso geralmente utilizado em lançamentos para órbitas equatoriais.
Objetivos da missão Fram2
Durante os vários dias que permanecerão no espaço a bordo da cápsula Dragon, os astronautas da missão Fram2 conduzirão uma série de experimentos científicos voltados para pesquisas médicas, biológicas e ambientais. Entre os principais destaques estão:
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22 estudos científicos serão realizados a bordo da missão, cobrindo áreas que vão desde medicina até sustentabilidade alimentar.
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Primeira imagem por raio-X feita no espaço, com o objetivo de aprimorar diagnósticos médicos em futuras missões de longa duração, como as planejadas para Marte.
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Análise de exercícios físicos em microgravidade, investigando como prevenir perda muscular e óssea — um dos principais desafios enfrentados por astronautas em ambientes sem gravidade.
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Experimentos com cultivo de cogumelos, estudando o comportamento de fungos no espaço e suas possibilidades como fonte de alimento sustentável em missões prolongadas.
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Coleta de dados inéditos das regiões polares da Terra, fundamentais para entender os impactos das mudanças climáticas globais.
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Teste de evacuação não assistida da cápsula Dragon, com foco em avaliar a capacidade física dos astronautas após o retorno, o que será essencial para definir protocolos de recuperação em futuras missões interplanetárias.
Com a missão Fram2, a SpaceX não só amplia os horizontes da exploração espacial como também contribui para o avanço científico em diversas áreas. A escolha da órbita polar não é apenas uma decisão técnica, mas um passo estratégico rumo a um futuro em que a presença humana no espaço se tornará cada vez mais constante e diversificada.